Enfermeira foi responsável por disseminação de boatos com a garota suspeita de ser estuprada em Candeias.

Odair Araujo | sexta-feira, dezembro 04, 2015 | 0 comentários


Há alguns dias a população de Porto Velho ficou chocada com boatos sobre um possível abuso sexual com requintes de crueldade. Segundo o disse-me-disse, uma garota em Candeias havia sido violentada por 5 homens que a deixaram na beira da rodovia para morrer e que por sorte, foi socorrida por alguém que passava naquele momento.

As mais diferentes versões que circularam pela cidade foram compartilhadas nas redes sociais e rodas de amigos.


Como começaram os boatos.
Ao dar entrada no hospital, devido aos graves ferimentos na região íntima, os médicos suspeitaram de violência sexual e acertadamente acionaram a polícia.
A questão é que uma enfermeira, arrisco dizer que sem ética nenhuma, gravou um áudio falando sobre a suposta violência sexual sofrida pela garota e contava detalhes sobre sua condição física. O áudio foi enviado para um grupo de whatsapp, supostamente de amigos dela, que por sua vez, foi repassado para outros grupos iniciando assim uma série de disse-me-disse.

Delegacia de Candeias.

A coluna ouviu ontem a delegada Keite Mota Soares da delegacia de Candeias onde foi feito o boletim de ocorrência. Ela nos disse que ouviu a vítima que negou o abuso, alegando que havia sido um acidente de jet ski.
Segundo a delegada a linha de investigação seguiu para um caso de acidente, porque uma pessoa vítima de violência sexual não iria passear de jet ski após sofrer abuso com requintes de crueldade..
Durante a investigação foi localizado uma testemunha que ajudou no socorro à garota.

O que realmente aconteceu

Segundo a delegada Keite, a garota foi com um amigo e uma amiga para Candeias do Jamari, pararam na marina onde deixaram o automóvel e passaram o dia passeando de jet ski. Por volta de 17h00 horas resolveram dar uma última volta . Nas imediações do balneário Ilha Verde, estavam os três na moto aquática, o amigo pilotava, a amiga estava sentada no meio e a vítima do acidente estava atrás. A amiga contou que um instante antes do acidente, a vítima se levantou, o rapaz não viu e acelerou para se desviar de algum obstáculo no rio. Foi naquele momento que ela caiu para trás.

No instante da queda as partes íntimas foram terrivelmente atingidas pelo jato d´água que sai com muita pressão do equipamento ferindo-a gravemente também por dentro.
Um outro rapaz, que é uma das testemunhas e que também andava de jet ski no mesmo local, viu a garota gritando após cair e foi socorre-la achando que se afogava, mas no momento que a levantou, viu a quantidade de sangue.
A coluna também ouviu a testemunha e assim como disse para a delegada, eles nos contou que o rapaz que estava com a vítima pediu a ele e à esposa que socorressem a garota, pois o carro dele estava na marina e o socorro poderia demorar mais. A testemunha e a esposa, que estavam com o carro no balneário Ilha Verde, resolveram então leva-la para o hospital.

A testemunha deixou a vítima no posto e foi embora deixando-a sob os cuidados da amiga.
Foi então que começaram as desconfianças: segundo a delegada, um homem que deixa uma garota sangrando nas partes intimas em um hospital e na sequência vai embora, é algo, de fato, suspeito. Quando a vitima foi atendida, foi constatada a gravidade da situação. O medico desconfiou de abuso e chamou a polícia.
A delegada ouviu ainda o legista que afirmou que aquele é um tipo de ferimento raro, mas pode acontecer.
Há várias testemunhas sobre o acidente. E todos viram o momento que aconteceu. Os agentes ouviram algumas e nenhuma caiu em contradição.
Conclusão: foi acidente. Um horrível acidente.

O poder do boato

O boato tem um poder avassalador de destruir vidas e causar inclusive a morte de pessoas. Foi por causa dele que uma senhora na cidade de Guarujá em São Paulo foi linchada por populares, para na sequência descobrirem que tudo era uma grande e cruel mentira. Já não havia mais o que fazer e uma família foi emocionalmente devastada.
Outro caso notório em São Paulo, atingiu o proprietário de uma escola que perdeu os alunos e teve o seu empreendimento fechado e sua honra abalada. Ficou provado mais tarde que ele é inocente e ganhou diversas causas na justiça por danos morais. O prejuízo emocional não pode ser recuperado.
Não foi diferente aqui em Porto Velho. O que teria acontecido com o amigo, caso a população tivesse tido acesso a ele?
Pelo fato da garota ser menor, se ele tiver que sofrer alguma consequência por parte da lei, segundo as testemunhas, as provas e a delegada, não será pelo crime de \\\” violência sexual “.
Comentários diversos circularam, ofendendo desde a honra da garota até a de sua família.
Há que se ter cuidado com o que se espalha sem a certeza do que realmente aconteceu. Ou poderá ser tarde demais para lamentações e “mea culpa”.





Aqui Rondônia com Informações do Alerta Rondônia

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