A estatização da miséria

Odair Araujo | quinta-feira, maio 23, 2013 | 0 comentários

Por 

Vitor Paniagua


Miséria não é só pobreza. É ignorância, violência, alienação. Em 2011 o Brasil tinha entre 16 milhões a 25 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza, pessoas que não ganham o suficiente para sobreviver, segundo dados do IBGE. Considerando a média é mais que dez por cento da população. 

O Brasil tem mais de 30 programas sociais. Entre os mais recentes lançados pelo Governo Federal está o “Bolsa Bandido”, um auxílio previdenciário que o governo federal repassa para famílias de estupradores, assaltantes, ladrões e homicidas. 40 mil famílias de marginais recebem o benefício, em média R$ 730,00 mês, valor acima do salário mínimo pago a um trabalhador que rala para garantir sua integridade moral. O Brasil tem mais de meio milhão de indivíduos encarcerados, apontam números do Ministério da Justiça.

O país gasta mais com presos que com alunos. Números do ano passado indicam que o Brasil gastou R$ 203 milhões com o benefício para os presos até meados do ano. Com alunos não chegou a R$ 03 mil por cabeça, segundo o próprio FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Por ano. O país tem quase 13 milhões de analfabetos. Some-se isso aos números da violência e da pobreza chega-se à cifra da alienação do povo brasileiro.

É papel de qualquer governo sério produzir programas sociais para melhorar a qualidade de vida da população. E isso tem mesmo que ser feito por meio de programas sociais. Desde 2002, quando o atual governo chegou ao poder através da eleição de Lula o governo federal estatizou a miséria. É bem verdade que boa parte desses programas de erradicação de fome e pobreza foi gestados no governo FHC. Lula tratou de esmiuçá-los e multiplica-los para estatizar a miséria. Hoje a miséria se tornou monopólio do governo e os miseráveis os maiores cabos eleitorais dos inquilinos do Planalto.

Os objetivos dos programas sociais jamais foram de perpetuá-los como parece querer o governo Dilma. A ideia era de repassar os benefícios para quem de fato necessita, mas desenvolver paralelamente programas de inclusão e inserção social e no mercado de trabalho gradativamente para que as bolsas fossem apenas auxílio temporário. Mas, de 2002 pra cá os números só pioraram justamente porque os programas de inserção são menores que as distribuições de benefícios sem a exigência de um avanço social em troca deles. E assim surgiram alguns absurdos como o “bolsa-bandido” que premia o criminoso. Como o governo não consegue produzir retração nos números da violência essa pode se dizer é uma bolsa perpétua.



Quando o governo Lula assumiu o Brasil encontrou um país com sua economia consolidada através de um plano econômico, o Real, que controlou a inflação, realizou várias privatizações saindo do terceiro mundo para país emergente. O sonho de Lula e do PT sempre foi retomar as estatizações para que o governo garantisse o monopólio das grandes empresas nacionais. Esse retrocesso, porém, seria imperdoável pela sociedade brasileira e o PT recuou. Decidiu-se então estatizar a miséria para garantir o monopólio da alienação. Eles conseguiram.

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